A Câmara dos Deputados aprovou duas matérias estratégicas para o Brasil: o Projeto de Lei Antifacção e o PL 278/26, que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata), de autoria do líder do Governo na Casa, deputado federal José Guimarães.
As votações representam uma importante vitória política e institucional construída com diálogo, firmeza e ampla articulação parlamentar.
No caso do Projeto de Lei Antifacção, o relatório final contemplou os pontos considerados centrais pelo Governo Federal. A proposta assegura a caracterização objetiva do que é facção criminosa e garante que o combate às organizações criminosas não seja utilizado como pretexto para atingir movimentos sociais legítimos. Após um intenso dia de negociações, os principais eixos defendidos pelo governo foram preservados no texto aprovado.
Houve divergência pontual em relação à ampliação da taxação das bets, retirada do texto após aprovação de destaque. O tema seguirá em debate ao longo do ano, por se tratar de matéria considerada estratégica para o país.
Já o Redata consolida um passo decisivo para o futuro econômico nacional. A iniciativa fortalece o posicionamento do Brasil como um dos principais polos da economia digital global. O mercado de datacenters projeta movimentar cerca de R$ 1,6 trilhão em 2026, demonstrando a dimensão estratégica do setor.
O projeto aprovado prevê isenção de aproximadamente R$ 5,2 bilhões já em 2026 para a instalação de datacenters no país, além de cerca de R$ 1 bilhão ao ano nos dois exercícios seguintes. O regime especial suspende tributos como PIS/Cofins, IPI e Imposto de Importação na aquisição de máquinas e equipamentos essenciais para centros de processamento de dados.
A proposta também garante segurança jurídica aos investimentos já realizados, está alinhada às diretrizes da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e à Reforma Tributária que entra em vigor em janeiro de 2027, além de estabelecer contrapartidas como geração de empregos qualificados e percentual mínimo de conteúdo local para fortalecimento da indústria nacional.
O Brasil reúne vantagens competitivas naturais e estruturais para esse avanço tecnológico. Com abundância hídrica e mais de 80% da produção de energia proveniente de fontes renováveis, o país apresenta condições favoráveis à atração de grandes investimentos em infraestrutura digital. A região Nordeste lidera a produção de energia limpa, com destaque para o Ceará na geração de energia eólica e solar.
As aprovações reafirmam o compromisso com a modernização econômica, a soberania digital e o enfrentamento firme ao crime organizado. Mesmo diante de votações complexas e desafiadoras, o resultado demonstra que, por meio do diálogo e da articulação política, é possível construir soluções estruturantes para o presente e o futuro do Brasil.